sexta-feira, 3 de abril de 2009

Reciclo



Importa o traço

Não importa o que digo.
Não importa o que faço.
Importa se condigo
com tudo que traço.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

É mesmo?

É preciso viver pra ter o que escrever.
É preciso perceber pra ver acontecer.
É preciso saber que não é em vão.
É preciso correr no meio da multidão.

É preciso movimento pra fazer.
É preciso sentimento pra nascer,
senão, nem preciso dizer.
Que somente estar no mundo
não é sinônimo de viver (cerscer).

É preciso andar pela estrada
sem pensar no ponto de chegada.
É preciso observar a natureza
e aprender não só com sua beleza.

É preciso não só saber o que deve.
mas sim saber o dever do não saber.
É preciso ter consciência leve
pra seguir caminhando sem se perder.

É preciso viver pra escrever.
É preciso escrever e viver.
É preciso nascer todo dia.
É preciso sempre levantar um bom dia.

É preciso isso e aquilo
que a gente toda a vida escuta.
É preciso estar tranquilo,
mas também estar sempre alerta.
É preciso ir à luta
e manter a mente aberta
e a lei universal da permuta.

terça-feira, 31 de março de 2009

Desumaninadeando

Triste ver-se definhando por esperança.
Vendo que a cada dia ou com o passar das eras,
o homem se torna, em parte grande, em parte pequeno.
E nessa luta entre o eu e a anima,
galgada de milênios e milênios
a casa vai caindo por consequências.
Virando água, virando pó,
e que dessa mistura, da água e pó
retorne a tudo que nada é.
Que na ponta da calda do cometa
que anda pelos astrais ancestrais,
leve a um caminho onde não precise
de confiança pra viver o hoje e
que sirva de impulso para viver em paz.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Idiomatic mixtura

Por sobre seus whispers hot
deslizo minha body language
queimando de vez this sensation
fazendo dos sentidos an intoxication
levantando totalmente in homage
só de pensar in your slot

Darling, vc com seu decote
drive me a loucura
living toda doçura
showing seu instinto forte.

Uma ponta de desígnio

Acenda aquela ponta e dê um pega
pra capar esse sentimento brega
prenda, espere até que a razão
perca toda sua falsa função.

Transforme em paz esse furacão.
Passe, distribua, compartilhe.
Engatilhe a positiva energia
atire, sopre, irradie.
Espalhe toda essa alegria.

Pague a prenda, mas não se apreenda,
não se prenda a pensamentos alheios.
Mente simples, sincera e sem atropelos.
Vá a luta, pense, não se renda.

As coisas boas estão ao redor,
mas também podem vir de dentro
o que esperas vem do alento.
Desiluda-se, firme no seu centro
sempre pratique seu intento.

Errante progresso

Aquele quadro pintado de costumes.
Aquela estátua, cheia de muitos rótulos e ciúmes.
Que anda, que fala, que sente, que pensa,
que pensa... Que pensa que pensa...
Aquele escárnio da compreensão,
zombando de toda a capacidade.
Embriagava pensando certo quando
achava ser ilusão tudo o que pensava.
Voava... Voava e na terra ficava.
Amordaçado, desmembrado, sufocado, extraia
o que de dentro lhe aborrecia.
Absorvia o que de dentro escutava,
e se libertava dos preceitos dos conceitos
vivendo cada passo, cada lugar.
Simplesmente aproveitando
a magnitude do sentir e do estar.
Sem nenhuma preocupação
se quem duvidava, quem desconfiava
tinha na razão um pouco de coração.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Composto do oposto

Adoro complicar os pensamentos.
Amo perceber inoperância.
Gosto de atentar os desatentos.
Me divirto em pentelhar a ignorância.

Calo quando pisam no meu calo.
Agarro na ideia impermanente.
Creio todo dia naquele galo
que acorda as manhãs impacientes.

Sufoco todo peito decorrente
de amores desfalecidos de repente.
Invoco tudo aquilo que se equivoca
e provoco aquele que me provoca.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Melhor ficar calado

Absolutamente verdade que,
se errado todos assumirem,
verdadeiramente estaremos absolutos.
A vida que dança e tropeça
ainda nos prega peças,
mas a terça parte da esperança
que esteja sempre na lembrança
e que no inteiro, meio ou quarto.
No doce que a vida alcança,
todas as ideias se fundam
e leve consigo a tolerância.
Eleve a melhor parte em abundância.
O saber que não se sabe nada,
da verdade ou da mentira,
do certo ou do real
do irreal ou do errado,
o que todo mundo sabe,
é que o melhor é ficar calado!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Jandira e o Cabra

Ela jogou, quebrou, foi embora.
Derrotou aquela memória.
Esculhambou, magoou, deturpou,
toda aquela história.

Se um dia ele encontrar,
alí em sua frente,
que deus a proteja os dentes.
Palavras são mais ferozes
que toda e qualquer corrente.

Sumiu desesperado com o desespero.
Matou, surtou, levou consigo
todo aquele maravilhoso zelo.
Agora, Jandira está na mira
daquele cabra do mundo.

Girando, cambaleando,
baleado, curado com sangue.
O leito, o remédio
do assédio que espanca,
não deixa rastro, mas deixou tranca.

Jandira ainda hoje pira,
pensando na morte do cabra
protegido pelo curupira!